A Ciclovia Rio Pinheiros tem um potencial enorme como alternativa de mobilidade na cidade, por diversos motivos. O deslocamento de bicicleta se dá ainda mais rápido que o usual, pela topografia totalmente plana e pela ausência de cruzamentos e semáforos; por proteger o ciclista do tráfego pesado de automóveis, a viagem se torna bastante segura, mesmo para quem está começando; seu trajeto passa por vários bairros da zona sul, com potencial para chegar até a zona oeste. Se tivéssemos ciclovias nas duas marginais então, teríamos acesso fácil, rápido e seguro a boa parte da cidade.
Situação atual
O que temos por enquanto é apenas uma ciclovia de lazer, que não ajuda em praticamente nada nos deslocamentos do tipo commuting, como ir ao trabalho, à escola, à casa da namorada. Ela funciona apenas durante o dia e tem apenas três acessos, sendo um deles bastante próximo a uma das pontas. Esses acessos se situam a mais de uma dezena de quilômetros um do outro e sem nenhuma outra saída no meio caminho. Se você não mora próximo a uma ponta da ciclovia e não trabalha perto da outra, dificilmente conseguirá colocá-la em sua rota – e ainda que consiga, ela estará fechada quando você precisar voltar para casa depois do trabalho.
O mais óbvio, barato, eficiente e correto seria termos acessos em todas as pontes. Os ciclistas geralmente chegam à Marginal por alguma avenida que cruza o rio por uma ponte; havendo nela um acesso para descer à ciclovia, problema resolvido, tanto para quem está de um lado do rio quanto do outro. Acessos distantes das pontes fariam muitos ciclistas pedalarem por um trecho de Marginal até chegar neles, sendo mal recebidos pelos motoristas, que os colocariam em risco. Além disso, os acessos nas pontes integrariam a ciclovia ao viário, permitindo captar e distribuir os ciclistas ao longo de sua extensão.
Quem utiliza a bicicleta como transporte não sai de casa para pedalar na ciclovia, sai para ir a algum lugar. Se ela não fizer parte do caminho dele, ou não for acessível sem um desvio grande, não será utilizada. Por enquanto, a ciclovia nem ajuda a proteger os ciclistas que já utilizam a marginal diariamente e nem incentiva as pessoas a trocarem o carro pela bicicleta, já que poucos podem utilizá-la em seus deslocamentos cotidianos e, enquanto não há novos acessos, ela continua servindo mesmo ao lazer.
Atrasos
Na inauguração da ciclovia, em fevereiro de 2010, o então secretário estadual de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, anunciou: “passaremos a quatro acessos rapidamente”. José Serra complementou que esses acessos seriam providenciados por empresas privadas. Já havia também a promessa de expandi-la até o Jaguaré. Mas Serra deixou de ser governador, Portella foi substituído e a ciclovia empacou.
Em outubro de 2010, os jornais comentavam que a expansão até o Jaguaré seria feita ainda naquele ano e que haveria mais quatro acessos até fevereiro de 2011. Esses acessos seriam passarelas e estruturas metálicas, sem relação com os viadutos existentes. Para integrar a ciclovia às pontes, a CPTM pouco pode fazer sem a cooperação e o apoio da CET e da SIURB.
Mas esse atraso acabou sendo vantajoso: o projeto foi revisto e novos acessos e pontos de apoio serão construídos. Acompanhe abaixo.
Obras começaram: expansão e acessos devem sair em breve
Se os novos prazos foram cumpridos, a situação deve melhorar logo. O leitor Pedro Peron nos informou em e-mail que “já estão instalando os gradis amarelos saindo da estação vila olímpia, em direção à cidade jardim” e que “começaram também a erguer uma rampa de acesso à ciclovia junto à estação Santo Amaro da CPTM”. Parece que agora é pra valer.
Para o final de 2011
Atualmente com 14 km de extensão, a Ciclovia Rio Pinheiros ganhará mais 6,4 km até a estação Villa Lobos-Jaguaré. Segundo o Diário de São Paulo, o novo trecho deve ficar pronto até o final do ano. Até o final de 2011 devem ser criados também mais três acessos: ponte Cidade Universitária, estação Morumbi e estação Santo Amaro. Novos pontos de apoio também serão inaugurados.
O acesso na ponte Cidade Universitária será implementado do modo como deveria ser feito em todas as pontes do trajeto: uma passarela ligando a ponte à ciclovia. Um exemplo que, demonstrando seu sucesso, praticidade e frequência de utilização, pode servir de modelo para as demais. E o melhor: permitirá que aos alunos da USP que utilizam bicicleta que entrem e saiam da ciclovia num ponto bem próximo do campus.
Nas estações Morumbi e Santo Amaro, os acessos são resultado de adequações do mezanino à passarela interna das estações, com rampas para facilitar o deslocamento com a bicicleta. Esses dois pontos de entrada mostram a boa vontade da CPTM em facilitar o acesso à ciclovia, provendo-os por dentro de suas estações e dispondo-se a reformá-las para permitir ao ciclista alcançar a ciclovia por ali.
O ponto de apoio provisório que havia na altura da estação Santo Amaro está em reformas e deve se tornar permanente, como os outros dois, nas pontas da ciclovia, com cobertura, banheiros, bebedouros, espaço para troca de pneus e manutenção das bicicletas. Com essa mesma estrutura, outros três novos pontos serão implantados na altura das estações Cidade Jardim, Cidade Universitária e Jaguaré-Villa Lobos, totalizando seis pontos com boa infraestrutura de apoio nos 20km que a ciclovia virá a ter.
Primeiro semestre de 2012
Para o primeiro semestre de 2012, mais dois acessos: um no Parque do Povo, próximo à ponte Cidade Jardim, e outro no parque Villa Lobos, que será a nova “ponta” da ciclovia expandida. Ambos os acessos serão passarelas de uso exclusivo de ciclistas.
Esses acessos representarão ligações diretas com a Ciclofaixa de Lazer, facilitando também o acesso para quem quiser utilizar a ciclovia a passeio no domingo. Mais crianças conhecendo o Rio Pinheiros de perto, o que é ótimo: quem vai construir o futuro deve conhecer o presente, vendo a situação do rio e entendendo onde vai parar o lixo que cai na rua. E percebendo que, apesar de tudo, a natureza resiste: além das capivaras, há garças, quero-queros, pica-paus e outros pássaros vivendo ali.
Iluminação
Para 2012, também está prevista iluminação para a ciclovia, permitindo finalmente que seja utilizada durante a noite. E o melhor é que essa iluminação usará energia limpa. Serão instalados 764 postes com luminárias de LED, de potência superior a 30 watts, com aerogeradores para captação do vento e coletores solares.
O sistema inovador foi desenvolvido por técnicos da CPTM, que testaram nos últimos três meses um protótipo instalado perto da estação Jurubatuba. No alto do poste é colocado o aerogerador, dispositivo que funciona como um gerador elétrico integrado ao eixo de um cata-vento. Um pouco abaixo, é fixada a bandeja para captação solar. Cada poste é, portanto, uma estação autônoma e autossuficiente, não precisando estar ligado à rede elétrica.
No caminho certo
Com essas mudanças, o acesso à ciclovia vai melhorar bastante. A Ciclovia Rio Pinheiros tem tudo para se tornar parte importante da mobilidade por bicicleta na cidade, só precisa se tornar mais acessível e funcionar até mais tarde, pelo menos até as 21h.
Sugestões
Os motoristas que dirigem em São Paulo contam com sinalização que os ajudam a descobrir o caminho para chegar nos principais bairros da cidade. Seria interessante ter, dentro da ciclovia, sinalização semelhante para os ciclistas: próximo a cada saída, poderia haver uma indicação de que bairros o ciclista acessa saindo por ali.
Da mesma forma, do lado de fora da ciclovia, poderia haver sinalização indicando a entrada mais próxima. Há hoje muitos ciclistas que trafegam pela própria marginal. Sinalização indicando os acessos, nela e em avenidas da região, ajudaria a incentivá-los a seguir pelo caminho mais seguro.
Fonte: Vaidebik.org
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